MST x ?
Nelson Düring
Desde o início de Setembro o MST realiza a movimentação de três colunas que partiram de diferentes pontos do estado do Rio Grande do Sul. O que pode ser mais um lance na estratégia de capitalização de mídia pelo movimento irregular, apresenta interessantes nuances.
Primeira Nuance – A intervenção federal na área de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul conduzida pelo Ministro da Justiça Tarso Genro. A intervenção foi aceita pelo casal Crusius (Governadora Yeda e marido) como um petit “Coup d´Etat”.
Segunda Nuance – Em 03 de Abril de 2007, assumia como novo secretário de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, o Delegado da Polícia Federal José Francisco Mallmann. Delegado federal com mais de 30 anos de carreira e ocupava o posto de Superintendente Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul. Substituíu o Dep. Federal Enio Bacci, do PDT/RS, que atraia grande apoio popular por comandar uma postura mais rígida dos órgãos de segurança pública no enfrentamento à criminalidade. Após a formação de uma falsa crise com o anterior secretário, a governadora tucana Yeda Crusius aceitou a intervenção federal na segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul. A colocação do Delegado Federal Mallmann, como Secretário da Segurança e a federalização de várias ações pontuais na área de Segurança Pública para capitalização de mídia pela Polícia Federal. Objetivo apoiado pelo Diretor-Geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa.
Quarta Nuance - Surge o MST com seu movimento de três colunas, que se deslocam pelo Estado. NA região considerada berço do MST, a ação soa como mais um movimento de mídia, de pressão contra o governo e o tradicional confronto com os ruralistas, orquestradas pelo movimento irregular.
A realidade tem uma nuance mais cinza e nebulosa e levado as áreas de inteligência federal a um ataque de nervos. O que pareceu ser um grande golpe sobre o casal Crusius, voltou-se contra o Ministro Tarso Genro e o Palácio do Planalto. O Ministro não escondeu sua preocupação em evento de assinatura do memorando com 11 prefeituras da região de Grande Porto Alegre, realizado no Sábado, 06 Outubro, na sede da PF, em Porto Alegre.
Mais as seguidas reuniões dos órgçaos federais: Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Comando Militar do Sul (CMS) expõem a preocupação do Palácio do Planalto.
A primeira medida foi tentar devolver a Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul ao Casal Crusius, que tem feito ouvidos de mercador. O ouvidor-geral da Secretaria de Segurança RS, Adão Paiani, viajou a Brasília, em 29 de Setembro, para falar com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para a imprensa foi apresentado como a solicitação de garantias de que a fazenda Coqueiros não será alvo do Incra para fins de reforma agrária. Na realidade foi a a de lembrar a responsabilidade do governo federal.
A outra foi de repor no comando das ações Coronel BM Paulo Roberto Mendes, que estava envolvido em ácida discussão com os clubes de futebol sobre pagamentos de segurança em dias de jogo, no Comando das Operações, ao menos para a Mídia, embora a última palavra fique com o Palácio do Planalto.
A agenda do movimento irregular é a criação de um “Território Livre”, anexando as áreas da Fazenda Coqueiros – “num mar de pequenas propriedades, unificando sob a bandeira do MST todas as terras situadas entre as duas principais rodovias da região, a BR-386 e a RS-324”.
A área livre, certamente bolivariana, no extremo sul do Brasil causa preocupação além fronteiras. As chancelarias da Argentina e o Uruguai já indicaram reservadamente ao Governo Brasileiro os receios.
Fonte: http://www.ternuma.com.br/nduring071.htm
Nenhum comentário:
Postar um comentário