11.13.2007

É de arrepiar, leiam e sintam o problema se "o morro descer".

         O poema a seguir (encaminhado por um amigo) é de autoria de Paulo César Pinheiro, poeta e parceiro de todos os gigantes da MPB nos últimos 40 anos (Baden Powell, Tom Jobim, Edu Lobo, Dori Caymi, Pixinguinha, Rafael Rabello etc.). Foi gravado pelo compositor e percussionista Wilson das Neves há 14 anos, num CD que é hoje raridade. Foi escrito há uns 16 anos.

    É um retrato do que está acontecendo hoje no Rio de Janeiro e nas principais cidades brasileiras. A guerra civil não declarada, ou, declaradíssima de acordo com Paulo Pinheiro:

    "No dia em que o morro descer e não for carnaval"

    O dia em que o morro descer e não for carnaval

    Ninguém vai ficar pra assistir o desfile final

    Na entrada, a rajada de fogos, para quem nunca viu,

    Vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil!

    ( É a guerra civil...)

     

    O dia em que o morro descer e não for carnaval

    Não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral

    E cada uma ala da escola será uma quadrilha

    A evolução vai ser de guerrilha

    Que a alegoria é um tremendo arsenal

    O tema do enredo vai ser a cidade partida

    No dia em que o couro comer na avenida

    Se o morro descer e não for carnaval.

    

    O povo virá de cortiço, alagado e favela

    Mostrando a miséria sobre a passarela

    Sem a fantasia que sai no jornal.

    Vai ser uma única escola, uma só bateria

    Quem vai ser jurado? Ninguém gostaria

    Que desfile assim, não vai ter nada igual.

    

    Não tem órgão oficial, nem governo, nem liga

    Nem autoridade que compre essa briga

    Ninguém sabe a força desse pessoal

    Melhor é o poder devolver pra esse povo a alegria

    Senão todo o mundo vai sambar no dia

    Em que o morro descer e não for carnaval.


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