O poema a seguir (encaminhado por um amigo) é de autoria de Paulo César Pinheiro, poeta e parceiro de todos os gigantes da MPB nos últimos 40 anos (Baden Powell, Tom Jobim, Edu Lobo, Dori Caymi, Pixinguinha, Rafael Rabello etc.). Foi gravado pelo compositor e percussionista Wilson das Neves há 14 anos, num CD que é hoje raridade. Foi escrito há uns 16 anos.
É um retrato do que está acontecendo hoje no Rio de Janeiro e nas principais cidades brasileiras. A guerra civil não declarada, ou, declaradíssima de acordo com Paulo Pinheiro:
"No dia em que o morro descer e não for carnaval"
O dia em que o morro descer e não for carnaval
Ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
Na entrada, a rajada de fogos, para quem nunca viu,
Vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil!
( É a guerra civil...)
O dia em que o morro descer e não for carnaval
Não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
E cada uma ala da escola será uma quadrilha
A evolução vai ser de guerrilha
Que a alegoria é um tremendo arsenal
O tema do enredo vai ser a cidade partida
No dia em que o couro comer na avenida
Se o morro descer e não for carnaval.
O povo virá de cortiço, alagado e favela
Mostrando a miséria sobre a passarela
Sem a fantasia que sai no jornal.
Vai ser uma única escola, uma só bateria
Quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
Que desfile assim, não vai ter nada igual.
Não tem órgão oficial, nem governo, nem liga
Nem autoridade que compre essa briga
Ninguém sabe a força desse pessoal
Melhor é o poder devolver pra esse povo a alegria
Senão todo o mundo vai sambar no dia
Em que o morro descer e não for carnaval.
Postado por MiguelGCF > Impunidade > Vergonha Nacional
Nenhum comentário:
Postar um comentário