1.21.2008

Cuidado com o que sai da cloaca da galinha

Por Jorge Serrão

O ovo na cloaca da galinha. Eis um dos efeitos especiais fecundadores do nosso “aquecimento” econômico na Era Lula. O brasileiro consome graças à farra do crédito. Tudo incentivado irresponsavelmente pelo desgoverno. A tal “solidez dos fundamentos macroeconômicos do Brasil” é conversa de ilusionista ortodoxo da análise econômica. O crédito facilitado, a economia informal e as bolsas família da vida sustentam nossa bolha de consumo.

O País continua deseducado, improdutivo e desgovernado – embora a propaganda oficial minta o contrário. O problema é até quando vai durar a disponibilidade de recursos financeiros nos bancos, que lucram cada vez mais com juros altos e tarifas elevadas, para liberar tanto crédito fácil. Risco de calote? O próprio sistema tem tanta “gordura” que se garante contra uma crise de inadimplência. Até quando agüenta? E se alguma crise externa mais séria nos afetar aqui dentro?

O brasileiro não tem o hábito de planejar seus gastos a médio e longo prazo. Este descontrole financeiro é o grande vilão da inadimplência. O discurso do desgoverno garante que tudo está no melhor dos mundos. A publicidade na mídia incentiva o consumismo irresponsável. Mesmo que não tenha renda para consumir, o brasileiro é incentivado a pegar dinheiro emprestado, usar o cheque especial ou a comprar a crédito em dezenas (quase uma centena) de prestações. Consuma, que o Lula garante! Garante? Até quando?

Veja o caso dos idosos. Apenas em dezembro, foram registradas 692.262 operações de crédito consignado (com desconto em folha) aos aposentados e pensionistas do INSS. Foram emprestados R$ 834.760.495,32 a idosos já encalacrados com dívidas ou sem dinheiro suficiente para passar o fim de ano. Os 44 bancos conveniados para a operação comemoram por que os aposentados e pensionistas já realizaram 23.635.199 operações de empréstimos consignados, de 2004 a dezembro de 2007, que correspondem a R$ 30.645.118.567,83. Como a turma da melhor idade está pagando suas contas? Só Deus e eles sabem.

É fácil criar a imagem de um País das Maravilhas econômicas. O Brasil não tem um indicador único de inadimplência. As estatísticas e análises sobre inadimplência têm como base as ocorrências de cheques devolvidos por falta de fundos e o volume de títulos protestados, que são indicadores isolados. Qual o tamanho do calote em potencial? O brasileiro é imediatista e opera no curto prazo. No Brasil as taxas de juros das linhas de crédito ainda são muito caras. Mesmo assim, os consumidores se acostumaram a buscar dinheiro vivo emprestado ou a comprar a prazo, utilizando alguma forma de crédito disponível.

Enquanto somos iludidos pelo crédito fácil, o desgoverno nos tunga nos impostos. Para debochar da nossa cara, a Super Receita Federal tem cara de pau de comemorar que a arrecadação do governo federal (com impostos e contribuições) atingiu o recorde de R$ 602 bilhões e 790 milhões de reais, em 2007. O total arrecadado ficou R$ 79 bilhões e 430 milhões acima do valor arrecadado em 2006.

Descontada a inflação medida pelo IPCA, o aumento do total arrecadado foi de 11,09%. O ganho foi mais do que o dobro da arrecadação da falecida CPMF, que foi de R$ 36 bilhões e 400 milhões. O secretário da Receita, Jorge Rachid, prevê que a arrecadação continuará em alta em 2008, mesmo sem a CPMF.
do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

COMENTÁRIO: Como se a derrama sobre o capital produtivo não bastasse a valorização artificial do cambio faz com que o capital especulativo renda 60% ao mes. É criminoso, triste e vergonhoso.

Postado por MiguelGCF
Editor do Impunidade Vergonha Nacional

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